O mais engraçado é que desde pequena que tenho a ideia da neve ser fofinha, agradável, suave e muito divertida. Sonhava em atirá-la aos meus amigos, rebolar, saltar, deslizar, ser feliz. Passado algum tempo tive a oportunidade de ver e brincar na neve. Mas infelizmente, ela não era fofinha, não era suave nem era agradável. Os meus sonhos foram destruídos, não tinha amigos com quem brincar, não tive tempo de rebolar, saltar, deslizar nem ser feliz. Tudo o que tenho memória de me restar são frieiras nas mãos e uma constipação no dia seguinte. Espero que para a próxima consiga fazer e ser tudo isto que não fui na neve.
lunedì 4 novembre 2013
definição de sorriso
"Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o ato de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contração muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no ato de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exatamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de ceticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contrações musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no ato de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exatamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de ceticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contrações musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."
José Saramago
sabato 2 novembre 2013
"Ser ou não ser, eis a questão"
A minha questão não é ser ou não ser, a minha dúvida é a própria incógnita de quem quero ser e como ser. Tentar definir-me é impossível, mas se não consigo definir o impossível como é que eu posso definir-me? Perguntas vageiam pela minha cabeça e penetram dentro do meu cérebro, a confusão dentro de mim é imensa, quase do tamanho de todos os oceanos. Continuo perplexa e sem saber o tamanho deles e por isso tamanho da minha dúvida continua por descobrir. A incredulidade reina em mim e continuo à procura ...
sabato 19 ottobre 2013
céu
Olho para baixo e vejo os meus
pés, para cima e vejo o céu. À primeira vista a distância parece curta, estico
os braços mas não consigo tocar nas nuvens. Percebo então que o céu não está
assim tão perto, se estivesse puxava a tua mão e encostava-a à minha cara só
para te sentir mais uma vez, só mesmo para me relembrar do teu carinho.
Mas infelizmente o céu está longe e tu também. Os meus pés permanecem fixos no
chão e o mundo continua a rodar. O céu por agora é inalcançável, por agora
continua longe, apenas por agora …
venerdì 18 ottobre 2013
Sinto dor. Traíram-me.
Sinto dor. Traíram-me eu sei, devo gostar de sofrer. Não é justo ter nascido aqui, aqui há gravidade e por isso caio demasiadas vezes. As feridas estão abertas e devido a todas as quedas já não saturam mais. Estou fraca, preciso rapidamente da cura e não a encontro, parece que querem o meu corpo, que querem me degradar aos bocados. Mas eu não deixo que isso aconteça. Isso não. Prefiro morrer antes que me matem. Está dito.
lunedì 14 ottobre 2013
Confesso que foi merecido
Gosto de andar pela rua em dias como estes. Sentir a chuva a cair aos meus pés, ouvi-la a bater no guarda-chuva furiosa por não conseguir atingir-me e sentir a humidade do ar na cara. Ri-me dela, coitada é tão insignificante que não me consegue alcançar e eu permaneço aqui debaixo do meu guarda-chuva alheia a todos os problemas. Mas aquelas ínfimas partículas de água revoltaram-se e provaram-me o contrário. Juntaram-se todas e mostraram que não são assim tão insignificantes que elas tinham algo a dizer. Conseguiram roubar-me o meu abrigo e por causa da minha presunção senti-as a todas na minha cara Não me queixei mas sei que foi merecido.
domenica 13 ottobre 2013
O Menino da Sua Mãe
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe
Fernando Pessoa
Fui mas já não sou
A tempestade passou e esqueceu-se
de me levar. O meu corpo entrou em conflito porque não conseguiu expulsar a
angústia que permanece cravada dentro de mim, foi repugnante. As minhas lágrimas
foram encurraladas, os meus órgãos dilataram, os meus ossos enfraqueceram, os
meus músculos murcharam, o meu coração foi racionalizado, … Mesmo assim, mantive-me
contida e reservada. Não sabia o que dizer, gritar talvez tivesse sido a melhor
opção, mas para quê elevar a voz num mundo em que as pessoas sofrem todas de
surdez? As minhas mãos estão trémulas, estou submersa em dores, a tristeza
levou-me para outro patamar, lugar esse onde eu nunca tinha estado. Não sei
nada, não sei quem sou, estou sozinha. Vivo na ansia do não saber o que sei e
apaziguo a minha alma apenas com a incógnita.
Hoje a batalha é diferente,
tornou-se mais perigosa e mortal, não consigo lutar mais contra o meu cérebro,
estou fraca e cansada, quero desligar por breves momentos. Só para poder
apreciar as nuvens e o sol a bater nas folhas das árvores. Desconheço a cor das
ruas e a cara das pessoas, deixou de haver alegria na minha vida. Agora, o que
resta é o ar, e mesmo esse parece abandonar-me nos momentos em que os soluços
ficam presos na minha garganta que berra com dor e saturação. São as
metamorfoses, agora entendi, são elas que me provocam esta dor de pensar, esta
saturação de tudo e de todos, foram elas que me levaram a perder a minha alma.
Ela que é infinita atacou-me todas as células contaminando-as e levando-me à
morte. Foi assim que fiquei presa dentro de mim, foi assim que não encontrei a
saída do meu labirinto, foi assim que morri. A minha alma matou-me. Maldita.
Fernando Pessoa

"É uma vontade de não querer ter pensamento, um desejo de nunca ter sido nada, um desespero consciente de todas as células do corpo e da alma. É o sentimento súbito de se estar enclausurado numa cela infinita.
Para onde pensar em fugir, se só a cela é tudo? "
venerdì 11 ottobre 2013
mandamento

*agendado*
"Ao te curvares com a rígida lâmina de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas, cresceu embalado pela fé e pela esperança daquela que em seu seio o agasalhou. Sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens. Por certo amou e foi amado, esperou e acalentou um amanhã feliz e sentiu saudades dos outros que partiram. Agora jaz na fria lousa, sem que por ele se tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome, só Deus sabe. Mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir à humanidade. A humanidade que por ele passou indiferente"
(Rokitansky, 1876)
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domenica 6 ottobre 2013
bom domingo
Hoje vou pintar, apagar tudo da minha mente e deixar simplesmente o pincel deslizar. Abandonar o meu cérebro e observar as cores a formarem um desenho. Hoje, gostava de poder pintar, pintar o dia inteiro e esquecer todos os problemas.
martedì 1 ottobre 2013

O meu cérebro está vazio, a imaginação fugiu e parece que não vai voltar. A maldita não deixou recado nem indicações de como sobreviver sem ela. Foi cruel, não pensou em mim. E aqui estou eu, no meio da aula de português, enquanto todos escrevem sobre Fernando Pessoa, junto palavras à toa sem sentido. Acho que sou um pouco como ele, não consigo sentir, estou estragada. O comboio fez de refém o meu coração, já não há sinal de vida. Sou como uma floresta queimada que demora milhares de anos para recuperar toda a sua biodiversidade que lhe foi roubada. Já não consigo respirar, estou em estado de decadência. O comboio descarrilou.
martedì 10 settembre 2013
viver com medo não resulta
Vivo constantemente com uma
bomba-relógio, todos os dias sinto receio que essa bomba expluda e sei que um
dia ela vai eventualmente arrebentar.
O monstro vagueia pela casa todos os dias e o medo instala-se em mim cada vez mais forte. Sei que não posso demostrar qualquer tipo de pavor, mas o meu interior treme. Sinto os meus ossos a ranger, os meus órgãos a falhar. Começo a suar … Não consigo aguentar mais esta situação, aquela alma sem noção aterroriza-me todos os dias, gostava que a bomba não arrebentasse mas sinto que desta vez vai acontecer. Não quero ser apanhada na explosão, não sei como apanhar os estilhaços de novo. Tenho levado esta situação às costas todos os dias da minha vida e não aguento mais.
Preciso de sair, mas não posso. Não posso deixar o anjo que me acompanha todos os dias sozinho. Esse anjo não merece. Vou ficar por ti, obrigada por tudo.
O monstro vagueia pela casa todos os dias e o medo instala-se em mim cada vez mais forte. Sei que não posso demostrar qualquer tipo de pavor, mas o meu interior treme. Sinto os meus ossos a ranger, os meus órgãos a falhar. Começo a suar … Não consigo aguentar mais esta situação, aquela alma sem noção aterroriza-me todos os dias, gostava que a bomba não arrebentasse mas sinto que desta vez vai acontecer. Não quero ser apanhada na explosão, não sei como apanhar os estilhaços de novo. Tenho levado esta situação às costas todos os dias da minha vida e não aguento mais.
Preciso de sair, mas não posso. Não posso deixar o anjo que me acompanha todos os dias sozinho. Esse anjo não merece. Vou ficar por ti, obrigada por tudo.
lunedì 12 agosto 2013
Dia Internacional da Juventude
O que é ser jovem?
Ser jovem é não se contentar com um não. Ser jovem é celebrar a vida todos os dias. Ser jovem é rir mesmo quando não se sabe a razão do riso. Ser jovem é fantástico. Ser jovem é não pensar no que os outros pensam. Ser jovem é único.
Acho que é importante que a sociedade não critique tanto os jovens, porque nem todos somos drogados, nem todos somos viciados, nem todos bebemos sem motivo, nem todos somos assim. Nós, jovens que sabemos o que é ser jovem, somos inteligentes, pensamos, sentimos e, principalmente, gostamos de nos divertir. Sim, a diversão pode ir de brincar à apanhada na praia a apanharmos uma bebedeira. Sim, sabemos que temos de ter limites. Mas não se esqueçam também que o fruto proibido é o mais apetecido, e vocês adultos já passaram o que nós estamos a passar. Às vezes é necessário deixarem-nos bater com a cabeça para abrirmos os olhos.
Gosto de fazer o que me apetece. Gosto de ouvir musica e dançar por ruas cheias de gente. Gosto de não me importar que as outras pessoas pensem que sou uma deficiente. Gosto de existir. Gosto da vida. Gosto de ser jovem.
lunedì 29 luglio 2013
esforço
E ele não suportou mais o peso que tinha nas suas costas, não aguentou mais e largou as correntes que o suportavam...
martedì 23 luglio 2013
Morbidez
Corria-lhe sangue entre as veias, entre a sua delicada face. Sangue esse que outrora circulara freneticamente por todo o seu corpo. A coitada vai caindo lentamente. Sinto pena dela, mas não há mais nada que eu possa fazer. Olho para a janela. A lua hoje está alta e mais redonda do que nunca, a luz que é nela refletida é absorvida por aquela pobre criatura. O tempo passa e vejo-a a tornar-se cada vez mais decadente. Mudou de cores, já não está viva nem saudável, agora está a apenas à espera da morte. Morte essa que acabou de chegar. E foi assim que a minha orquídea morreu na minha janela virada para a lua.
venerdì 19 luglio 2013
provavelmente morta

sabato 13 luglio 2013
Aqui estou eu, como sempre sozinha, fechada num jardim a ouvir a melodia das árvores, a sentir o vento na minha cara e a tentar pensar. A minha mente rende-se e esvazia-se, ocupa-se, dentro dela, uma enorme melancolia que me ataca o corpo todo. Sentada num pequeno banco de ferro, todo revestido com tinta branca e um assento desconfortável de madeira, encontro-me a escrever. O papel é o meu único amigo, nele posso descarregar tudo, sem que se ofenda.
Sinto o sol a escaldar-me a pele, embora o vento gélido me ultrapasse, o sol mantém-me sempre quente e confortável. O calor aquece-me apenas o corpo, pois a alma continua a mesma de sempre: forte, abatida e rígida.
Consigo observar os buracos no chão, a terra dividiu-se, porque não aguenta com mais pressão. Ao dividir-se, perdeu pedaços; pedaços que nunca ninguém conseguirá juntar. Pedaços esquecidos e insignificantes para toda a gente, mas é ela que fica sem eles. Ninguém consegue sentir a falta dessas pequenas porções de terra tão bem quanto ela.
E as pessoas continuam as suas belas vidas, vidas monótonas e sem sentido, vidas injustas e cruéis. A nossa terra permanece a mesma, sempre com os mesmos buracos no chão de um jardim qualquer.
mercoledì 10 luglio 2013
FernandoPessoa
Isto
Tudo que escrevo. Não
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está no pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
mercoledì 29 maggio 2013
cabra, vaca, p***

Estou farta que me chamem de cabra, estou farta que me chamem de vaca. Estou farta das bocas, estou farta de ser insultada, estou farta de tudo. Para mim já chega. Que direito têm as pessoas de pensarem que umas simples bocas não magoam? Elas sabem que isso não é verdade. Não compreendo. Quando me olho ao espelho vejo um ser humano, um ser humano com sentimentos, com coração... Não percebo porque é que me insultam, não acho que mereço isso. Estou farta que utilizem desculpas, estou prestes a atingir o meu limite.
Há uns anos atrás, eu era um muro, tudo o que me atingia não me afetava porque simplesmente esse muro era construído com rochas fortes e persistentes. Agora tudo mudou, já não sou uma parede sólida, sou apenas um aglomerado de pedras esquecidas no chão. Fui calcada demasiadas vezes e não quero ser calcada mais nenhuma vez. Não digo isto em voz alta porque sinto que ninguém me irá compreender. É mais fácil ignorar um monte de pedras do que reconstruir um muro.
Palavras insultuosas marcam as pessoas, essas encontram-se gravadas em mim e já não consigo apagá-las. Não há volta a dar. O meu infinito acaba aqui. Vou terminar de escrever o capítulo deste horrível texto e mudar de página. Talvez mude de livro e, assim, não tenha de voltar a ouvir as palavras que magoam. Talvez faça isso. Talvez seja a única solução.
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