domenica 13 ottobre 2013

Fui mas já não sou

A tempestade passou e esqueceu-se de me levar. O meu corpo entrou em conflito porque não conseguiu expulsar a angústia que permanece cravada dentro de mim, foi repugnante. As minhas lágrimas foram encurraladas, os meus órgãos dilataram, os meus ossos enfraqueceram, os meus músculos murcharam, o meu coração foi racionalizado, … Mesmo assim, mantive-me contida e reservada. Não sabia o que dizer, gritar talvez tivesse sido a melhor opção, mas para quê elevar a voz num mundo em que as pessoas sofrem todas de surdez? As minhas mãos estão trémulas, estou submersa em dores, a tristeza levou-me para outro patamar, lugar esse onde eu nunca tinha estado. Não sei nada, não sei quem sou, estou sozinha. Vivo na ansia do não saber o que sei e apaziguo a minha alma apenas com a incógnita.
Hoje a batalha é diferente, tornou-se mais perigosa e mortal, não consigo lutar mais contra o meu cérebro, estou fraca e cansada, quero desligar por breves momentos. Só para poder apreciar as nuvens e o sol a bater nas folhas das árvores. Desconheço a cor das ruas e a cara das pessoas, deixou de haver alegria na minha vida. Agora, o que resta é o ar, e mesmo esse parece abandonar-me nos momentos em que os soluços ficam presos na minha garganta que berra com dor e saturação. São as metamorfoses, agora entendi, são elas que me provocam esta dor de pensar, esta saturação de tudo e de todos, foram elas que me levaram a perder a minha alma. Ela que é infinita atacou-me todas as células contaminando-as e levando-me à morte. Foi assim que fiquei presa dentro de mim, foi assim que não encontrei a saída do meu labirinto, foi assim que morri. A minha alma matou-me. Maldita.

4 commenti:

Sophie Coldheart ha detto...

Consegui sentir cada palavra deste texto e achei-o ao mesmo tempo triste e belo!
Gostei muito do que fizeste com o design do blog! Está muito bonito!

Angie ♒ ha detto...

ADOREI, ADOREI, ADOREI! Estou sem palavras e sem saber o que dizer!

Miguel ha detto...

percebo o que queres dizer. vais acabar por te descobrir de novo.

Sara Pimenta ha detto...

Uau...simplesmente fascinante e há passagens que retratam completamente como me sinto por vezes.
A tua escrita é fenomenal