venerdì 5 gennaio 2018

 Incerteza.
 Uma incerteza de quem não sabe para onde tem de ir paira sobre mim.
 A minha vida é um carro sem travões e eu não estou a conseguir controlá-lo.
 Estou à espera que embata.
 À espera que algo aconteça, que alguém faça por mim.
 A minha motivação desapareceu e, com ela, o que restava da minha força.
 Agora, sento-me à espera que a vida passe.

 Não me sinto bem.
 Não quero isto para mim.
 Quero acordar e viver.
 Quero viver a minha vida, voltar a ganhar a minha força.
 Quero simplesmente viver.

 Vou viver.

mercoledì 12 aprile 2017


A calçada está molhada, as pessoas já se embrulharam nos cachecóis e o céu está encoberto. Ela continua à espera, à espera que algo aconteça, algo que mude a sua vida, algo que a faça sorrir. Mas os dias continuam cinzentos e as cores teimam em não aparecer. O negro da noite mancha o azul da manhã e os dias continuam iguais. Os dias não mudam, as às pessoas continuam com os seus cachecóis e a calçada continuará molhada. 

mercoledì 8 luglio 2015

giovedì 18 giugno 2015

onde estás?


Existe um vórtice em cada um de nós. Cada vez que ele nos tenta sugar, nós tentamos resistir. Passamos a nossa vida a resistir até um dia em que esse vórtice é mais forte do que nós. 
O teu vórtice venceu demasiado cedo, foste forte mas não conseguiste repeli-lo. Não sobrou nada, esse terrível vórtice consumiu-te e levou o teu corpo. Não acredito que a tua alma ainda esteja aqui, não quero acreditar. Se ainda estivesses aqui não deixavas acontecer o que aconteceu. Se estivesses aqui, não gostarias do que estavas a ver. Se estivesses aqui, não me sentia tão sozinha. Não sei onde estás mas sei que não estás aqui.

sabato 30 maggio 2015

A sociedade é dura: se os outros não te veem chorar é porque não estás magoada, se não te demonstras miserável é porque não estás triste... 
Como ninguém te vê sofrer, ninguém acha que o que se passou foi relevante. "Foi apenas um mau momento, uma ação infeliz.", pensam eles. Pois, mas na verdade para mim não foi. Para mim foi grave, algo que ficou intrínseco e que ainda não saiu completamente do meu corpo. Senti-me exposta, humilhada, irrelevante, sem voz e incompreendida. Ninguém sabe o quanto isso me afetou, o quanto isso me deitou a baixo. Sei que ainda não recuperei, nem sei se algum dia irei recuperar. Tentei seguir com a minha vida e felizmente acho que consegui, mas não completamente. Há noites em que ainda acordo assustada com o que aconteceu, ainda penso nisso e sinto raiva. Não sou uma mártire, foi por isso que não demonstrei as minhas emoções.
O problema das pessoas é que elas pensam que toda a gente é igual e que tu tens de pensar igual a mim. A verdade é que quem pensa assim, não sabe viver em sociedade. Viver em sociedade é aceitar o outro por muito que lhe custe, é ouvir as suas ideias e debater sem discutir, é ter a noção que somos todos diferentes e que temos direito a essa diferença. Tenho pena que os jovens de hoje não pensem assim, fico até assustada com futuro. Se formos entregues a pessoas como estas o mundo nunca irá mudar. Isso assusta-me.
Por enquanto, vou tentando esquecer.

mercoledì 7 maggio 2014

De que são feitos os sonhos ?


 
"Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos."
Shakespeare

Mas de que são feitos os sonhos? Desde pequena que acho que os sonhos tal como as nuvens são feitos de algodão-doce, mas ao longo do tempo reparei que os sonhos eram mais complexos do que isso. Os sonhos são muito mais do que açúcar cristalizado, são muito mais do que algo que conseguimos ver. Por alguma razão só imaginamos e pensamos neles, se conseguíssemos vê-los, senti-los, ouvi-los ou até cheirá-los deixavam de ser sonhos e passavam a ser coisas comuns. Mas se os sonhos não são feitos de algodão-doce são feitos de quê? Já pensei que talvez fossem feitos de sorrisos, não daqueles sorrisos falsos. Estou a falar daqueles sorrisos verdadeiros, que são libertados por nós sem qualquer tipo de esforço. Infelizmente, coloquei logo essa hipótese de lado porque se os sonhos fossem feitos de sorrisos não tínhamos pesadelos (que não passam de sonhos maus). Então, um sonho tem de ser algo que tenha dois lados, algo que abranja duas dimensões completamente opostas.
A verdade é que não sei de que são feitos os sonhos e por isso também não sei do que somos feitos, mas também tenho a minha vida toda para descobrir...

martedì 18 marzo 2014

para um alguém escondido por aí




Sinto-a nas minhas mãos, sinto-a nos meus dedos, sinto-a na minha pele, até a sinto nos meus ossos. Infiltrou-se nas minhas veias e instalou-se em todo o meu corpo. Agora toda eu estou assim, neste estado frenético e instável. E a culpa é toda vossa, irei sempre repugnar-vos porque fazem parte daquelas pessoas que se riem com a desgraça dos outros, daqueles que não pensam no mundo que os rodeia, daqueles que são tão fechados e persistentes como uma pedra preciosa mas nada têm de valioso. Mas lá no fundo quem tem valor são eles, são eles que vincam na vida, são eles que conseguem ser "alguém" quando eu continuo a ser nada. Não se esqueçam é que eu prefiro não ser ninguém do que ser como vocês.
Por hoje é tudo.

domenica 9 marzo 2014


Look how they shine for you
And everything you do
Yeah, they were all yellow

I came along
I wrote a song for you
And all the things you do
And it was called Yellow

So then I took my turn
Oh, what a thing to've done
And it was all Yellow

Your skin
Oh, yeah, your skin and bones
Turn into something beautiful
Do you know?
You know I love you so
You know I love you so

martedì 4 marzo 2014

amálgama de emoções

Vive um parasita dentro de mim tal como vive um dentro de ti. A diferença é que o meu ainda não arranjou um relógio e o teu já estragou o seu. Talvez o teu verme empreste ao meu o contador do tempo para que o meu tempo seja contado também. É algo que não posso evitar, está-me entranhado nas veias, está espalhado por todo o meu corpo. 
Não vás, não percebes que vais provocar dor a toda a gente que gosta de ti? Não entendes que toda a gente vai sentir a tua falta? Sim, sei que estás a sofrer. Então vai. Parte para um mundo sem sofrimentos, deixa aqui toda a tua dor, distribui por todos nós e parte. 
Adeus. 
Não vás.

giovedì 20 febbraio 2014

Porque é que olhas para o mar se o futuro está na terra?

Não entendo, todos os dias passo por ti e todos os dias vejo-te a observar o mar. Em vez de te comportares como as outras pessoas,  atarefadas e cheias de pressão, és exatamente o oposto. Serás uma estátua do olimpo esquecida no mundo terrestre? Impossível. Não é possível que alguém se tenha esquecido de ti. Esse teu olhar penetrante cor de limão, essa tua boca carnuda, esse teu cabelo angelical são impossíveis de esquecer. Tens um ar distante, como se o teu corpo estivesse despromovido de alma, essa, encontra-se no mar junto dos teus olhos e do teu ser.
Sendo assim, leva-me contigo. Não quero mais estar na terra, quero permanecer infinitamente imóvel como tu, não quero pensar no futuro, quero parar. Mas antes, deixa-me olhar-te mais uma vez para quando me transformar numa estátua como tu, essa ser a última imagem presente na minha memória. Na memória apenas, porque nos meus olhos irá ficar para sempre o reflexo do mar, aquele que guarda todas as lágrimas e todos os sofrimentos de Portugal.

mercoledì 19 febbraio 2014

O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma


Sophia de Mello Breyner Andresen

domenica 2 febbraio 2014

fuma à vontade


Quem és tu que te aproximas à velocidade da luz? Pára.
Não te consigo ver, tens uma nuvem à tua volta, essa nuvem está-te a matar. O fumo invade os teus alvéolos contaminando o teu corpo todo. Cada vez estás mais submerso nessa nuvem que te invade. Não faças isso, não deixes que esse cigarro te mate, não lhe dês esse gosto.
Seguiste o meu conselho, ainda bem, é a primeira vez que me ouves e fazes o que eu te peço. Agora já podemos passear juntos de mãos dadas sem que o teu cheiro me incomode. Há tantas pessoas nas ruas que mal te vejo. A imagem torna-se cada vez mais nítida quando te aproximas de mim a correr, mas de repente deixo de te ver. Passo a ver um corpo inanimado no chão com uma mancha de sangue enorme ao lado. Corro desesperada na tua direção, quando chego à tua beira ofereces-me o teu último olhar e morres. É irónico, no final não foi o cigarro que te matou fui eu. Por favor fuma à vontade.

venerdì 31 gennaio 2014

esta é a última vez que te escrevo (pelo menos hoje)

Talvez não fale mais porque não vale a pena, talvez não queira desperdiçar as minhas palavras em ti. Não posso dizer que não duvido da tua autenticidade porque duvido, duvido e sempre irei duvidar. A questão aqui é quanto tempo irei aguentar perto de ti sem arrebentar. Estás sempre a dizer "Deus que é Deus não agradou a todos por isso porque é que eu tenho de agradar?", se calhar tens razão, se calhar não. Não quero descobrir, estou saturada, cheguei a um ponto que não suporto mais pensar em ti. Não é ódio nem raiva é algo que ainda não descobri, mas acho que também não quero.
Por isso, esta é a última vez que te escrevo, a minha cabeça está a tentar arranjar uma explicação para tudo o que aconteceu mas não consegue, claro que não consegue a resposta à minha pergunta só tu podes responder. 

Porquê?

lunedì 20 gennaio 2014

sono em excesso

Só me apetece mergulhar no meu sonho e conseguir suster a respiração para sempre. O problema é que nunca aguento e acordo demasiado cedo. Nunca tenho a oportunidade de finalizá-lo e por isso ele continua a repetir-se e a repetir-se sem conseguir chegar ao fim. Estou farta de ver sempre a mesma coisa...

martedì 14 gennaio 2014

sociedade quem és tu ?

Que sociedade é esta que em vez de se amar e apoiar vira as costas e martiriza?
Que sociedade é esta que finge estar tudo bem?
Que sociedade é esta que não consegue aceitar a realidade?
Que sociedade é esta que não quer acreditar na verdade?
Que sociedade é esta que não tem um pingo de vergonha?

É uma sociedade danificada, frágil, débil, estranha, ...
É uma sociedade que eu não consigo compreender.
É uma sociedade que não faz parte do meu dicionário, mas não devia ser só do meu .... 

domenica 12 gennaio 2014

Querido desconhecido,

 Já há muito que te quero escrever mas tu continuas a não deixar. As palavras estão presas e não se querem libertar. Juntas conseguiram formar uma espécie de barreira na minha boca e isso impediu-me de falar sobre ti. Tudo o que me resta é escrever. Escrever para não te esquecer, escrever para te recordar. Mesmo assim custa-me transpor para o papel o que sinto sobre ti, custa-me falar sobre o que tu passaste porque é algo que não consigo imaginar. A minha alma está de luto por ti e tu não tens a noção. Estás afastado, também nunca tiveste próximo. Sei que é invulgar este sentimento em mim, nunca o tinha sentido antes. Não é amor, é compaixão. Não é pena, é compreensão. Sei que passaste por muito e gostava de te ver a vincar na vida e a dar a volta por cima. Continuo com muito por dizer, mas por hoje este bocadinho bastou-me. Desejo-te tudo de bom e que independentemente de tudo, espero do fundo do meu coração que sejas muito feliz.

venerdì 27 dicembre 2013

O meu pássaro caiu. Eu caí com ele. Nunca pensei que a queda fosse tão dolorosa, tenho de aguentar. Não estou mal. Não, pelo contrário estou feliz e em paz. Talvez como nunca antes estive. A queda fez-me bem.

domenica 1 dicembre 2013

comichões

A minha pele começa a escamar, pequenas montanhas começam-se a formar e eu apenas observo o que se está a passar. As montanhas começam a alastrar-se e deixa de haver qualquer tipo de planície em mim. Sei porque é que isto me aconteceu, estou contaminada. Uma bactéria alojou-se em mim e não quer sair, este parasita que vai vencendo todos os dias a luta que trava contra o meu corpo está-me a deixar decadente. Não faço nada, quando eu deixar de existir alguém fará algo.

lunedì 18 novembre 2013

giovedì 14 novembre 2013

sol

As janelas não deviam ter persianas, não deviam acorrentar o sol nem impedi-lo de entrar. Tal como não podemos impedir a água de nos molhar, o vento de nos empurrar ou até mesmo os pássaros de cantar. Tudo acontece naturalmente continuará para sempre a acontecer e não há nada que possamos fazer para impedir isso. Por tanto não entendo porque é que as pessoas querem acorrentar o sol, é como querer reunir a areia da praia num frasco. É inútil. Deixem o sol entrar nos vossos quartos de manhã, deixem-se acordar por ele, entreguem-se ao sol e ele entregar-se-á a vocês.